Pré-condição: estou na estação de comboios de Den Bosch (Holanda) para apanhar o comboio das 11:38 para Schipol (aeroporto de Amsterdão) onde vou apanhar o voo das 14:20 para o Porto.
O primeiro comboio "transformou-se" no segundo e o segundo não chegou a sair da estação de Den Bosch. As informações foram em holandes e as explicações também... Aparentemente em vez do intercidades para Schipol tinhamos que apanhar um suburbano para Utrecht e daí um intercidades para Schipol.
As coisas não pareciam favoráveis com a acumulação de atrasos, mas lá me "ensardinhei" num comboio superpopulado que depois da primeira paragem informou (novamente em holandês) que o comboio em que estávamos ia mudar de destino.
Na paragem seguinte saí e em vez de entrar num outro suburbano que demorava cerca de 15 minutos a sair decidi tentar arranjar um taxi. Tarefa impossível uma vez que eles eram mais inexistentes que outra coisa e as pessoas interessadas imensas. Depois de uns 20 minutos de um lado para o outro, num frio a sério (com branquinho na relva e película de gelo na água) e numa fúria (interna) constante lá consegui um lugar num taxi para Schipol que partilhei com mais 3 (e isto graças a uma senhora holandesa que me tinha traduzido todas as informações e que estava muito determinada a apanhar o primeiro taxi possível, de maneira que se agarrou ao taxi com unhas e dentes e me deu ordens para entrar também no taxi, o que mais ninguém contestou!).
O taxista (típico ar de muçulmano) avisou-nos logo que a viagem ficaria a cerca de 50€ a cada e demoraria cerca de 1h. Neste momento eram 13:10 (julgo) e eu tinha voo às 14:20 para o Porto, a senhora que tomou conta de mim, à mesma hora para Paris, um rapaz turco às 14:30 para a Turquia e uma rapariga holandesa ia às 15h para Toulouse. O senhor taxista perguntou, o senhor taxista ficou a saber.
Passados uns 10 minutos parámos numa área de serviço. Achei que íamos pôr gasolina, mas não. Mais uma vez as informações foram dadas em holandês e eu limitei-me a esperar, estava com o grupo... O senhor taxista foi à casa de banho. Depois voltou, foi à mala, pegou em qualquer coisa e desapareceu. Aí eu perguntei "ele foi rezar?" E todos os que estavam no carro "sim...". Mas foi o sim, mais aceitante e resignado que já vi. Notava-se que não estavam felizes, mas ninguém fez qualquer comentário, o que fez falta à minha veia portuguesa! O taximetro estava parado, o relógio não...
Lá continuamos, lá chegamos a Schipol às 14h.
O gate do meu voo estava aberto, o check-in fechado (e eu super arrependida por não ter feito check-in online...).
Andei para lá a vaguear para me acalmar e só não estava pior porque já tinha um plano B arquitectado pelo um "anjo da guarda" que mobilizou outro: o voo para Lisboa às 18:50.
Quando fiz o check-in percebi que não tinha ligação para o Porto e depois disso que ia ser mesmo difícil consegui-la (já estavam 12 pessoas em lista de espera). O mais provável era passar a noite em Lisboa.
Ao entrar para o avião encontrei o big-boss que fez mais pressing para conseguir o voo de ligação para o Porto. Ao aterrar tinha a ligação, mas a minha mala não sabia e eu tinha que a ir buscar. Chegada prevista ao aeroporto 20:45, chegada real: 20:50, autocarro 21h, mala no tapete (previsão) 21:38. Falo com a ground force, sou aconselhada a deixar a mala e correr para o voo. Big-boss informou-se e informou-me: tenho que apanhar o autocarro para o terminal 2 para fazer o check-in. Corro para o autocarro, corro depois do autocarro, entrego o cartão único para que me digam "Lamento, o check-in está fechado".
Informo o big-boss que me manda para o Marriott, volto para resgatar a minha mala e apanho um taxi para o meu destino final do dia que soube à paz que me faltou hoje...
Espero não ter muitos mais dias destes...